terça-feira, 21 de novembro de 2017

Montando torres de transmissão





SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO NA MONTAGEM MANUAL DE TORRES AUTOPORTANTES
Estudos realizados pelo ONS, em setembro de 2014 apontam que até 2018, o sistema de transmissão de energia elétrica no Brasil deverá sofrer uma expansão de 42% nas redes de transmissão de energia elétrica passando de 108.500 Km para 153.800 Km.
Além da expansão expressiva nas redes de transmissão de energia elétrica, o governo vem adotando medidas, a fim de garantir agilidade nos processos de obtenção das licenças ambientais de instalação, conforme Portaria Nº 421, de 26 de outubro de 2011, que dispõe sobre o licenciamento e a regularização ambiental federal de sistemas de transmissão de energia elétrica, como também na execução dos projetos por meio da aprovação do projeto de lei da terceirização (PL 4330/04), que se aprovada incluiu uma emenda que prevê a possibilidade da terceirização de atividades-fim de empresas privadas.
As empresas que possuem a outorga para a concessão de linha de transmissão em sua maioria, terceirizam os serviços de montagem de torres, onde grande parte não possui recursos técnicos financeiros e gestão de segurança e saúde para uma redução significativa dos índices de acidentes, que por sua vez exigem adoção de medias além do atendimento dos requisitos mínimos a serem cumpridos.
Diante desta triste realidade grande parte dos acidentes ocorridos nas montagens das torres autoportantes de linhas de transmissão, são provenientes da falta de treinamentos, capacitação técnica, equipamentos improvisados e defeituosos que aliados a processos ultrapassados e pressão de produtividade, tornam-se verdadeiramente fábricas de acidentes em grande potencial.
Além das limitações empresariais no setor de construção de linhas de transmissão, não há estudos específicos quanto ao número de acidentes ocorridos na montagem de torres de linhas de transmissão. Os dados disponibilizados pelos órgãos públicos para consulta são concisos nos direcionamentos às ações e tratativas focadas no seguimento em virtude de que as empresas que realizam montagem de torres autoportantes estão enquadradas dentro do CNAE da construção civil.
Desta forma não há como identificar e planejar as ações por parte dos agentes governamentais de inspeção em saúde e segurança do trabalho no cenário de construção de linha de transmissão.
Do ponto de vista da engenharia de segurança do trabalho e pelo histórico de acidentes em sua grande parte letais na construção de linha de transmissão, os trabalhos desenvolvidos nas montagens de linha de linhas são os que mais oferecem riscos aos trabalhadores, em virtude de queda da torre durante sua montagem.
Fatores como stress, fadiga e esgotamento físico, condições atmosféricas, queda de torres, quedas de materiais, quedas de pessoas, ferramentas improvisadas e ou defeituosas, procedimentos ineficazes, pressão de produção, não cumprimento dos procedimentos de segurança, falta de liderança, falta de entrosamento entre os membros da equipe. Um dos fatores que contribui consideravelmente para a ocorrência de acidentes do trabalho é o uso abusivo de álcool após o horário de trabalho, decorrente da falta do contato familiar, levando em consideração que todos os profissionais de linha de transmissão trabalham em escalas de 90 por 10 (noventa dias trabalhando e dez dias de folga em casa).
A primeira medida de segurança a ser adotada é a elaboração do PPRA por profissional habilitado em segurança do trabalho com proficiência no assunto. Por ser atividades que ocorrem a céu aberto as condições climáticas da região deverão ser levadas em consideração de forma a dar direcionamento a elaboração do PCMSO.
É importante que a gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO), devem atuar de forma integrada, sem ruídos de comunicação. Os trabalhadores após serem aprovados nos exames admissionais previstos no PCMSO, antes de iniciarem suas atividades em campo, realizam os treinamentos conforme a Figura 1.
A fim de garantir a eficácia dos treinamentos ministrados, são aplicados testes contendo 10 (dez) questões de múltipla escolha, e são considerados aprovados os trabalhadores que obtiverem nota igual ou superior a 07 (sete). Os trabalhadores não aprovados são submetidos a novo treinamento.
Para os aprovados são emitidos os crachás com os selos de liberação, que determinam quais autorizações o trabalhador encontra-se apto. Este processo facilita o reconhecimento e diminui a ocorrência de desvio de função.
Além dos treinamentos exigidos para a execução todos os trabalhadores são orientados a realizar diariamente antes do início das atividades a realização dos DDS pelo encarregado da frente de serviço, cuja duração não seja superior a 15 (quinze) minutos. O DDS aborda de forma geral.
Orientações de segurança, como uso de EPI, sendo obrigatório o uso de capacete com jugular, óculos de segurança com lente cinza, protetor solar FPS 30, repelentes contra mosquitos, gorros para pescoço, luvas de vaquetas ou de algodão pigmentadas, uniformes em bom estado de conservação e limpeza, perneiras e calçados de segurança;
Verificar o estado físico e psíquico dos membros da equipe, de forma a identificar pessoas com efeitos de intoxicação aguda por álcool “veisalgia”;
Informar quanto aos riscos de quedas de mesmo nível, como tropeções e escorregões, riscos de queda de pessoas e de materiais, risco na movimentação das treliças, risco de lesão na coluna cervical ao realizar movimentos bruscos e ao levantar pesos, risco de cortes durante o corte do feixe das treliças, riscos de perfurações nos punhos e mãos durante a utilização das caixas de madeira, riscos de prensagens das mãos durante a manipulação das peças, riscos de amputações.
Riscos de desidratação e insolação quando as atividades ocorrem em trabalhos a céu aberto sob forte sol.
Divulgação da ocorrência desvios que foram observados no dia anterior pelo encarregado ou membros da equipe e a comunicação de acidentes ocorridos em outras frentes de serviço.
Dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Todos os EPIs utilizados pelos trabalhadores na empresa possuem os respectivos CA dentro dos prazos de validade. A escolha dos EPIs é de exclusiva responsabilidade do SESMT que emite o parecer técnico e liberação de compra, após efetuar teste com os trabalhadores em campo. Os EPIs de trabalho em altura, como cintos de segurança, talabartes de posicionamento e “Y”, trava quedas, antes de serem liberados para uso, são identificados numericamente a fim de garantir sua rastreabilidade e manter o seu histórico de uso.
Os trabalhadores aprovados nos treinamentos recebem o termo de entrega de EPI preenchida. De posse do termo, o trabalhador se dirige ao almoxarifado para retirar os equipamentos de proteção de acordo com a função específica. As fichas de EPIs são mantidas no almoxarifado e quando da necessidade de substituição, o trabalhador é solicitado a devolver o EPI danificado e recebe um novo sem custo. Durante toda a permanência do trabalhador no empreendimento o termo permanece no almoxarifado, em caso de desligamento, o trabalhador é solicitado a devolver todo o epi constante na ficha. Após a baixa, o termo é encaminhado ao RH para arquivamento no prontuário do colaborador, juntamente com todos os demais termos e comprovações de treinamentos.
São considerados como EPC, nas atividades de montagem de torres autoportantes:
Instalação dos extintores de incêndio de classe ABC obrigatório em todas as frentes de serviço;
Cones de sinalização, para sinalização de trânsito e de área;
Fitas de isolação, são utilizadas nas frentes de serviço, normalmente para isolação da área sob peças de içamento;
Telas de proteção para demarcação das áreas de vivência e sinalização dos locais;
Placas de sinalização, utilizadas nas frentes de serviço para sinalizar as condições de riscos e orientar os trabalhadores quanto as medidas de proteção necessárias;
Ferramentas e Acessórios utilizados para montagem das Torres Autoportantes
Um dos fatores que contribuem favoravelmente para a segurança dos trabalhadores na montagem de torres autoportantes é a utilização de ferramentas em bom estado de conservação. Ferramentas danificadas ou que podem vir a ocasionar falhas durante o processo de montagem, normalmente ocasionam acidentes de maior potencial como, danos materiais, quedas de peças, quedas de torres e óbitos. Mediante conhecimento desses riscos são adotadas medidas extremamente rígidas quanto às inspeções que ocorrem diariamente por parte da equipe de trabalho e mensalmente são realizadas inspeções pelo SESMT. Os equipamentos e veículos seguem rigorosamente os planos de manutenção dos fabricantes, com as periodicidades descritas nos manuais. Todas as inspeções devem ser registradas em formulários próprios e arquivadas até o término do empreendimento. Os montadores que trabalham sobre as torres utilizam ferramentas amarradas aos suportes dos cintos de segurança e nunca em partes do corpo, os parafusos, arruelas e porcas são transportados em sacolas de couro do tipo tiracolo. Estes procedimentos são necessários para evitar a queda de objetos sob os trabalhadores de solo.
A ferramenta considerada de maior risco durante os processos de montagem são os mastros de montagem, conhecida entre os profissionais de montagem como o “Fação”. Estas ferramentas de montagem são fabricadas em aço com seção circular nas treliças e na posição vertical, reforçados ou não, nos montantes com perfis em L (cantoneira), de acordo com a necessidade de cada serviço (esforço x carga). Em virtude do esforço exigido e pela importância desta ferramenta são realizados ensaios com a finalidade de garantir a capacidade de carga dos mastros de montagem através da aplicação de carga nas condições de trabalho.
Os ensaios são obrigatórios após a fabricação da ferramenta e no início das atividades de montagem. Os mastros de montagem são separados de acordo com a necessidade que serão utilizados nos serviços (pesados, médios ou leves, etc.), com o acompanhamento de profissional habilitado, no caso um engenheiro mecânico, junto com o encarregado da equipe responsável pelo equipamento.
Os mastros de montagens aprovados nos ensaios são identificados com as respectivas capacidades de cargas e liberados para uso, sendo que os reprovados são descartados e encaminhados para a reciclagem de sucata.
Início da Montagem das Torres Autoportantes
Antes do deslocamento para o campo diariamente os trabalhadores que desenvolvem atividades em altura (igual ou superior a dois metros), passam pelo ambulatório médico para aferir a pressão arterial. Tendo sido liberado para início das atividades pelo SESMT a equipe se desloca para as frentes de serviço.
O primeiro dia de atividade da equipe, tem o acompanhamento de técnico de segurança do trabalho para a liberação e orientação ao encarregado, onde as atividades são distribuídas inicialmente:
Verificação e identificação das estruturas dispostas no local para a pré-montagem, que deve estar em consonância com o projeto de montagem das estruturas metálicas.
Realização do DDS e ginástica laboral de alongamento;
Descarregamento do veículo, com as ferramentas, chaves, madeiras e acessórios como banheiros químicos, extintor, placas de sinalização, tenda(s), mesas, cadeiras e coletores de resíduos para a montagem da área de vivência, kit de emergência, composto por maca, colete cervical, talas e maleta de primeiros socorros para realização de curativos, sem medicamentos.
Montagem da área de vivência, para descanso e realização das refeições;
Realização das inspeções de ferramentas e EPI;
Liberação para pré-montagem ou montagem da torre autoportante.
Pré-montagem das Torres Autoportantes
Nesta etapa, os componentes da torre de transmissão transportados do pátio são deixados nos locais de montagem. As treliças são transportadas e amarradas em feixes por cintas metálicas próprias para uso, os parafusos, porcas e arruelas são transportadas em sacos plásticos e ou caixas de madeira, que após o uso são encaminhados para reuso ou reciclados.
A pré-montagem das seções das torres ocorrem no solo, onde são montadas sobre madeira para evitar contato com o solo, danos aos materiais e aderência de sujeiras e a facilitar o içamento para a equipe de montagem. Neste processo o conjunto de parafusos, arruelas e porcas não são apertados, de modo que todo o bloco de estrutura mantenha-se solto permitindo que durante a montagem seja possível ajustar os encaixes quando içados e encaixados nas estruturas fixas.
A equipe é composta entre 15 a 20 trabalhadores tendo as seguintes funções: encarregado, motorista, montador e ajudante de montagem. O encarregado é o responsável por toda a frente de serviço, nos quesitos de segurança e saúde, produção, qualidade e meio ambiente. O motorista é o responsável pelo veículo e realizar os deslocamentos para as frentes de serviço conforme as determinações do encarregado, sendo um veículo tipo Van para transporte de pessoas e um caminhão para transporte de ferramentas e acessórios. Os montadores são os profissionais responsáveis pela montagem em blocos das estruturas metálicas e por possuírem conhecimento do posicionamento dos componentes metálicos quanto a montagem. Os ajudantes de montagem são os responsáveis pela montagem das áreas de vivência, limpeza e organização e auxiliam os montadores no transporte de peças.
Na maior parte do tempo os trabalhadores de pré-montagem trabalham na posição de cócoras em virtude das peças serem montadas próximas ao solo. Os trabalhos são realizados a céu aberto e não são permitidos trabalhos sob condições intempéries de chuvas, incidência de raios e trovoadas e trabalhos noturnos.
Da montagem manual das torres autoportantes
Após a conclusão da etapa de pré-montagem, e tendo sido respeitado o prazo ou resistência mínima estabelecidos em projeto ou especificação técnica das fundações de concreto, para que não haja comprometimento durante a montagem, inicia-se o processo de montagem das estruturas. Esta etapa é classificada como grau de risco 4 (quatro), sendo a de mais alto risco e com maior probabilidade de ocorrência de acidentes conforme quadro 1 relação do CNAE da NR-04 do M.T.E.
A equipe de montagem se diferencia da atividade de pré-montagem em alguns aspectos. Composta entre 30 a 40 trabalhadores sendo que o maior número de profissionais são os montadores e ajudantes de montagem além de ter o acréscimo do operador de máquinas. As atribuições se diferenciam nos seguintes aspectos.
O operador de máquina é o responsável pelo equipamento de içamento composto pelo conjunto trator com guincho acoplado, utilizados para içar os blocos das estruturas mais pesados.
Os montadores são divididos em dois grupos, onde o primeiro grupo trabalha sobre a torre (trabalho em altura) realizando a fixação dos blocos pré-montados e instalação das treliças e o segundo grupo que permanece em solo realizando as identificações e amarrações das peças a serem içadas.
Os ajudantes de montagem são os responsáveis pela montagem das áreas de vivência, limpeza e organização e auxiliam os montadores no içamento manual dos blocos das estruturas.
A montagem manual da torre autoportante inicia-se com a instalação dos montantes nas bases da torre, e instalação dos mastros de montagens sobre esses montantes para içamento dos blocos pré-montados.
Os riscos mais inerentes nesta etapa são:
Queda de materiais e pessoas;
Falha nas ferramentas e procedimentos;
Esmagamento e amputações de dedos;
Esgotamento físico em função do esforço manual empregado no içamento.
O deslocamento dos montadores nas estruturas da torre em dois sentidos: Vertical utilizando trava-quedas acoplado na corda de linha de vida e Horizontal utilizando os dois talabartes em “Y” para movimentação fora da linha de vida. Para o deslocamento através do talabarte em “Y”, os montadores são orientados quanto à:
Nunca fixar os dois talabartes em uma única peça, pois essa pode-se soltar durante a movimentação;
Fixar os talabartes acima da cabeça, levando-se em consideração o fator de risco de queda;
Somente soltar um dos talabartes após verificar se o outro encontra-se acoplado à estrutura;
Somente utilizar o talabarte de posicionamento nos montantes;
Estando os montantes interligados pelas treliças, às peças principais e parafusos estejam colocados e apertados o suficiente para manter a torre estável, inicia-se o processo de movimentação dos mastros de montagem, que devem ser mudados para a seção superior, conforme figura 8. Nesta etapa, o risco de prensagem e amputação dos dedos das mãos, são frequentes em virtude do peso e posicionamento do mastro de montagem em relação ao montante. As medidas de controle para estes riscos incluem o afrouxamento e não a retirada das cordas de amarração do mastro de montagem que o fixam na estrutura, a amarração da corda por um montador experiente na base do mastro de montagem, a observação do encarregado e equipe de solo com o posicionamento das mãos entre o mastro de montagem e o montante. De forma a garantir a movimentação segura sem movimentos bruscos dos mastros de montagem, a equipe de içamento de solo, recebe ordens somente do encarregado.
Figura 05 – Posição do mastro de montagem em relação ao montante da torre. - Fonte: Acervo pessoal do autor
Quando concluído a movimentação e amarrados nos montantes das torres, os mastros de montagem devem ser estaiados por cordas de seda ou sisal ou nylon, com diâmetro mínimo 5/8'', ancorados em piquetes com no mínimo 1 metro cravados no solo, suficientemente seguro de modo a garantir sua estabilidade.
No içamento das seções pré-montadas das torres o encarregado da frente de serviço deve toma o cuidado para não submeter os componentes a esforços maiores do que os suportados pelas estruturas e pelas ferramentas, de forma a evitar empenamentos e avarias. Os içamentos ocorrem de duas formas:
Manual, são necessários em locais onde não seja possível o acesso de máquinas e equipamentos, sendo permitido o içamento de peças com pesos de até 25 Kg (vinte e cinco quilogramas) por trabalhador.
Mecanizada, por meio de guinchos acoplados a tratores com tração 4x4, para o içamento de blocos de maior peso, superiores aos permitidos no içamento manual;
Os riscos e as medidas preventivas nas atividades de içamento são:
Queda de peças, por falha nas amarrações, sendo necessário a conferência por profissional montador mais experiente, isolar e sinalizar os locais de içamento, mantendo distância mínima de 20 (vinte) metros da base da torre.
Descida ou parada de blocos de peças durante o içamento, ocorrem em sua maioria por excesso de peso da peça ou número insuficiente de ajudantes de montagem ou falta de equipamentos apropriados. Não ultrapassar a carga de 25 Kg (vinte e cinco quilogramas) por pessoa.
Rompimento de cordas, ocorre por atrito entre a corda e as estruturas metálicas com cantos vivos. Não devem ser permitidos em nenhuma hipótese cordas com emendas ou em contato direto com os cantos vivos das estruturas metálicas, utilizando-se de cintas ou manilhas.
Fadiga, queda da pressão arterial, câimbras e desmaios, são mais propensos nos trabalhadores de solo, no entanto também ocorrem nos trabalhos em altura. Esses sintomas estão relacionados ao esforço físico intenso e a atividades a céu aberto, com exposição prolongada a radiações não ionizantes. Nestes casso específicos são adotadas medidas de monitoramento pela saúde ocupacional, e distribuição de isotônicos, com o monitoramento dos técnicos de enfermagem do trabalho e coordenação do médico do trabalho. Do ponto de vista da segurança do trabalho, são implementados intervalos de descanso de pelo menos 20 minutos entre os içamentos.
Da falta de ergonomia, na realização do içamento de painéis ou montantes o mesmo devem ser realizados com no mínimo quatro pessoas, e na corda de içamento devem ser fixados um tubo de aço galvanizado para cada dupla de no mínimo 1,5m (um metro e cinquenta centímetros) para que os funcionários exerçam o levantamento da carga.
De regra geral estão passíveis de advertência e demissão por até justa causa as seguintes condições:
Descida das torres por deslizamento pelos estaios ou treliças das estruturas autoportantes.
Permitir que trabalhadores sejam içados junto a cargas;
Não permanecer 100% conectado durante a subida e descida da estrutura e quando executar os trabalhos em altura.
Não realizar o aterramento elétrico das estruturas antes de iniciar a montagem;
Não realizar o aterramento dos mastros de montagens nas estruturas das torres;
Realizar trabalhos sob condições de chuvas e descargas atmosféricas;
Não realizar as inspeções diariamente nas ferramentas e acessórios;
Realizar içamento sobre os trabalhadores;
Trabalhar sob efeitos de álcool e substâncias alucinógenas;
Não realizar os treinamentos e exames médicos exigidos;
DO SESMT
Além das atribuições definidas na NR-04, o SESMT é dimensionado e organizado de forma a atender e prestar apoio às frentes de serviço nos requisitos de segurança, saúde ocupacional e também meio ambiente conforme Figura 16. As questões de meio ambiente estão diretamente relacionadas a supressão de vegetação, coleta, segregação e destinação dos resíduos, emissão dos relatórios de cumprimento do EIA / RIMA e atendimento aos requisitos legais e contratuais.
Através dos resultados obtidos nos atendimentos ambulatoriais, inspeções em campo e desvios comportamentais, dão suporte para o direcionamento das ações do SESMT. A grosso modo as questões de desvios comportamentais dos trabalhadores, são tratados por meio de treinamentos, orientações em campo, advertências e até demissões. Quanto as questões dos desvios organizacionais, que necessitam da disponibilidade de recursos financeiros ou mão de obras são tratadas nas reuniões gerenciais por meio de relatórios semanais com estabelecimento de prazos diretamente ao gestor de contrato responsável pelo empreendimento. Uma vez não atendido dentro do prazo estabelecido os relatórios são encaminhados à coordenação para conhecimento e solução dos problemas nas questões de saúde, segurança e meio ambiente.
METODOLOGIA
O desenvolvimento deste artigo esta embasado em mais de 18 anos de experiência do autor no seguimento de construção de linha de transmissão, utilizando como referências práticas adotadas no dia a dia, elaboração e implementação de procedimentos e pesquisas em literaturas técnicas desenvolvidas nas grandes empresas de construção de linha de transmissão.
CONCLUSÃO
Não há hesitação quanto aos riscos que os profissionais de montagem de torres autoportantes estão expostos. Controlar os riscos nas fontes, com adoção de medidas preventivas eficazes de forma a antever eventos indesejados, corrigir desvios comportamentais, estar efetivamente presente no ambiente de trabalho, observar os comportamentos e a interação entre os membros da equipe, são fatores imprescindíveis na consecução do acidente sem afastamento.
Os profissionais de montagem de torres autoportantes possuem uma característica diferenciada dos demais profissionais de linhas de transmissão, que é o bem estar em comum entre todos os membros da equipe. A consciência de que se houver falhas no processo pode comprometer a vida de todo o conjunto de pessoas, faz com que todos os membros da equipe trabalhem de forma sincronizada e cuidadosa, no entanto são necessárias ferramentas e acessórios adequados.
Na contramão dessa interatividade os procedimentos de registro das inspeções são considerados como uma ferramenta burocrática, desnecessária e sem finalidade, pelos profissionais mais experientes. Esse perfil vem sendo sofrendo alterações em virtude da formação de novos profissionais. As ações de SSO são reconhecidos em sua maioria quando as ferramentas ou acessórios de trabalho são substituídos em virtude das questões de segurança e aumento de produtividade.
Além das pertinácias de alguns profissionais de montagem o fator organizacional por parte das empresas sem recursos técnicos e financeiros dificultam ainda mais a adoção de medidas preventivas. Os recursos para atendimento das ações de SSO, limitam-se apenas ao atendimento as exigências legais, que são insuficientes.
Como não há uma legislação exclusiva para a construção de linhas de transmissão como também direcionamento aos órgãos fiscalizadores por falta de dados estatísticos específicos, é necessário que as empresas possessoras das outorgas de concessões, fixem diretrizes de segurança, saúde e meio ambiente além do atendimento aos requisitos legais aplicáveis de maneira a garantir recursos ao SESMT.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Zanel mantém o protagonismo de Bocaina fabricando EPIs de Raspa e Vaqueta

A Zanel é uma das fábricas de EPIs que mais contribui com a economia de Bocaina Na década de 80 Bocaina deixou a tradição puramente ru...